áries

O signo de Deus

Sabe aqueles memes com a frase “eu às 10 da noite: hoje vou dormir cedo”, que daí cortam para um “eu às 03 da manhã”, fazendo uma pesquisa nada a ver na internet, ou encasquetado com algum pensamento aleatório? Tipo “gente, que coisa, a mesma lógica que usaram para o nome do Pato Donald vale pro Fernando Pessoa”, ou “será que já comi carne da mesma vaca que bebi leite”? Então. Suponho que essa seja uma experiência imemorial, e que nossos antepassados sofriam com o mesmo problema – talvez apenas não tivessem a mesma chance de compartilhar com o mundo inteiro os motivos de suas noites insones. Aí fico imaginando a primeira pessoa que leu a Bíblia, indo para a cama tranquila depois do primeiro episódio, porque até ali pelo menos estava indo tudo bem, o mundo tinha sido criado, dentro no prazo e tudo, com alguma chance de sucesso. Aí de repente no meio da madrugada bate aquele pensamento incômodo, e toda a perspectiva de uma boa noite de sono vai por água abaixo: “Mas péra, e se a luz não fosse boa?”

Porque, né, podia não ter sido. Pelo menos é isso que a gente deduz do Livro do Gênesis. Lá no comecinho mesmo, logo depois de criar o céu e terra, Deus cria a luz (“haja luz”), aí vê que a luz é boa, e decide continuar com a luz. Quer dizer que o mundo foi criado na base da tentativa e erro, e que o Próprio não tinha muita certeza do que estava fazendo; pela maneira como a história é narrada, parece que Deus podia muito bem ter criado, sei lá, o inverno ártico, ou a apendicite, ou a pizza de estrogonofe, logo de cara, aí é que eu quero ver se ele ia ganhar todo esse crédito. O universo teria flopado na mesma hora, sobretudo se as Sagrada Escrituras começassem com algo do tipo: “Deus criou o céu e a terra, e o céu e terra era sem forma e vazios, e estavam imersos nas trevas; e Deus disse: ‘Haja o telemarketing’, e é por isso que desde então passamos o dia inteiro no escuro atendendo números desconhecidos de São Paulo”.

Pois é, às vezes eu fico pensando nessas coisas no meio da madrugada. Uma das razões pelas quais criei esse blog foi justamente para desovar tais questionamentos. Outro que já me ocorreu – e que naturalmente deve ter ocorrido a qualquer astrólogo decente – é qual seria o signo de Deus. E não me venham com essa história de que Deus não tem signo, que Deus é Tudo e Tudo é Deus, porque de soluções fáceis o inferno está cheio, e isso é apenas a típica reação de geminianos na hora de fazer uma escolha difícil. Nada disso, Deus tem signo sim, todo mundo tem, e a única coisa que torna um pouco mais difícil saber o signo de Deus é a falta de um registro confiável da data de nascimento. Mais ou menos como no caso da Elena Ferrante, a autora italiana que escreve sob pseudônimo e cuja identidade verdadeira é desconhecida. Então precisamos partir das características pessoais do indivíduo, estabelecer uma hipótese e verificá-la. Bom, a Elena Ferrante eu não sei, mas Deus, esse não me engana: aposto com vocês que Deus é ariano.

A primeira razão fica evidente pelos parágrafos introdutórios. Ninguém teria começado o universo se, no mínimo, não tivesse Áries muito forte no mapa. Pensem bem: não havia precedentes, era um trabalho inédito, as chances de cometer equívocos eram enormes, e havia tanta coisa em jogo que só mesmo com bastante iniciativa e um comportamento um tanto inconsequente alguém iria se meter nessa encrenca. Deve ter tido um elemento de impaciência também, é claro; basta imaginar como eram as coisas antes de tudo de existir; uma paradeira só, a maior tranquilidade, e se Deus fosse de Peixes (como alguns defendem) aposto que as coisas teriam continuado assim. Mas não, Deus quis acabar com a monotonia, acabou ficando de saco cheio, ficou com medo de morrer de tédio. Falou algo do tipo, “quer saber, vou começar um negócio aqui só para ver no que dá mesmo”, e cá estamos nós. Deu no que deu.

Ninguém com um mínimo de bom senso teria tomado uma decisão dessas. Mas é claro que Deus não tinha bom senso; o bom senso é uma característica taurina que foi criada depois de Deus. Antes disso aconteceram vários erros grosseiros, trapalhadas inenarráveis, precipitações idiotas, de modo que levou um tempo para Ele tomar consciência de si mesmo e adotar o hábito de pensar duas vezes antes de fazer algo. A sacada da luz lá no começo foi boa, isso a gente tem que reconhecer, deu certo mesmo. Mas fica impressão de que Ele empolgou, de que achou que era só dizer “haja isso” e “haja aquilo” que isso e aquilo iam ser bons e ele ia ficar logo livre do serviço. Assim, além de ter terminado o trabalho em seis dias (sim, seis dias, a p* do universo inteiro em SEIS dias – se isso não é coisa de ariano inconsequente e apressado eu não sei o que é), acabou metendo os pés pelas mãos em uma série de outras situações, e arriscando um punhado de outras intervenções que estiveram longe de obter o mesmo êxito.

Por exemplo, o episódio com o anjo que resolveu questionar a autoridade dele, cujos desdobramentos até hoje criam tanto transtorno. Se a crise tivesse sido bem administrada, se Ele tivesse empregado um pouco mais de tato na relação com o querubim, talvez o inferno hoje fosse apenas uma ideia criada pelos humanos para assustar criancinhas. Mas ele expulsou o filhote de casa sem nem dar chance para uma conversa, aí o outro foi lá e montou todo um exército de diabos e diabetes sem outra coisa para fazer na vida além fustigar a gente por toda a eternidade. Custava ter um pouquinho de parcimônia?  Agora, vai pedir um ariano para lidar com um conflito diplomaticamente, para você ver onde ele te manda enfiar o seu diploma. Não, não dava para aguardar um pouco o acesso de petulância do outro passar; Ele tinha que ficar todo intratável, cheio dos chiliques, só porque alguém ousou cantar de galo no Seu quintal. Então eu pergunto a vocês: quem foi que criou os anjos, já no segundo dia, e achou os anjos excelentes, e deixou eles existirem, criando condições para isso tudo acontecer? Sim, Ele mesmo. Deus.

Se a gente começar a fazer uma lista dos erros de Deus desde o início dos tempos (levando em conta apenas os registrados pelo cânone), é questão de ficar o restante dos tempos nisso, e ainda assim vai faltar umas horinhas. Mas também não é o caso de tripudiar. Só para dar mais um exemplo clássico, decorrente do anterior, teve a história com Jó também, em que o erro de Deus aconteceu de largada, no instante em que ele aceitou um desafio de Satanás, que foi lá e disse um “cê né homi de mostrar que é Deus mesmo”, e depois ficou de camarote assistindo a tragédia acontecer. Supõe-se que o divino devesse ter a compostura necessária para evitar esse tipo de picuinha, mas não: mais uma vez, quando a gente vê, lá está Ele atormentando um pobre coitado de um homem só para mostrar que é O cara. O interessante é que aí Ele aprendeu a lição de que ser o primeiro pode significar estar entre os últimos. Sério mesmo: pelo menos segundo Carl Jung, essa é a história da grande humilhação de Deus, porque, ao vencer a aposta com o capeta, Ele sofreu a mais completa derrota moral diante a humanidade.

O argumento está em Reposta a Jó, volume 11/4 das obras completas de Jung. A tal resposta seria o próprio nascimento de Cristo. Diante da força com que um mísero ser humano se mostra capaz de suportar seus caprichos, Deus comprova sua onipotência, e ao mesmo tempo sente-se pequeno; ele ganha consciência de Seus ridículos melindres, e decide encarnar na Terra em condição mortal, para experimentar altitudes apenas são possíveis a quem se submete à lei da gravidade. “Ele deve renovar-se, porque foi superado pela própria criatura”, afirma ainda Jung, indicando que a concepção cristã do amor incondicional de Deus pela humanidade depende desse movimento, efetivado, cabe observar, no período de transição da Era de Áries para a Era de Peixes, segundo a processão dos equinócios. “A intenção de Javé de tornar-se homem, que resultou do entrechoque com Jó, realizou-se plenamente na Vida e na Paixão de Cristo”.

Disso decorre um corolário que, se vale para Deus, deve valer para o pessoal de Áries de modo geral: é possível aprendermos como nossos erros. No que o pessoal de Áries tem todo o direito de responder: sim, mas para isso alguém precisa errar, então não me venham com essa história de que nós somos precipitados e competitivos e desatentos e coisa e tal, a gente primeiro faz o que tem que fazer, depois pensa no que poderia ser feito diferente. De acordo. Vejam também o caso de Hércules, que já mencionei para falar de Áries em outras oportunidades (por exemplo, aqui), e para não ficarmos só na mitologia judaico-cristã. Em um de seus trabalhos – exatamente aquele mais exatamente associado ao signo – ele tem que capturar as éguas furiosas de Diomedes (filho do deus Ares) que estariam causando devastação em certas planícies. Hércules, em sua capacidade de realizar grandes feitos, consegue executar a tarefa relativamente simples em pouquíssimo tempo. Então, para ir logo tratar de outros assuntos, deixa as éguas capturadas aos cuidados de Abderis, um amigo não tão íntimo das fúrias da natureza. Abderis acaba trucidado pelos animais.

Mas nesse caso, apesar do descuido, Hércules continua sendo Hércules, continua sendo um herói ariano. O amor incondicional só seria inventado muito tempo depois. Ele tinha ainda um punhado de trabalhos a cumprir, e dá no máximo para imaginá-lo fazendo uma nota mental (“não deixar bestas assassinas machucarem o amigo”) para evitar outras perdas. Esse é tipo determinação que Áries exibe com excelência: não aquela que se supõe infalível e imune a equívocos, mas a que entende que equívocos são inevitáveis se você se dispuser a fazer coisas que ninguém fez antes, e que isso não é motivo para deixar de fazê-las. É por isso que Áries vai errar muito na vida: porque vai agir muito, vai tentar coisas que ninguém tentou, vai assumir compromissos que ninguém ousou assumir, vai aceitar desafios que podem até parecer idiotas, mas – vai saber – numa dessas acabam sendo criadas as condições para o milagroso nascimento do redentor. Ou seja: Áries tem a sagrada capacidade de dar início a processos que ninguém faz ideia de onde vão nos levar.

Tudo isso faz lembrar uma das mais famosas frases sobre o erro e o fracasso que existem: “Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.” Seu autor foi o dramaturgo irlandês Samuel Beckett, que, bem a propósito, em sua peça Fim de Jogo, celebrizou uma anedota na qual um sujeito encomenda um par de calças para um alfaiate muito renomado e exigente, famoso pela qualidade impecável de seus produtos. Então, toda vez que o cliente vai buscar as calças, elas ainda não estão prontas, porque o alfaiate tem sempre um pequeno ajuste ainda a fazer, um errinho invisível ainda a reparar, um detalhe com que não está satisfeito. Até que um dia, depois de meses, o cliente reclama: “Mas não é possível isso! Pra que esse atraso todo? Deus que é Deus fez o mundo em seis dias!”. E o alfaiate: “Sim, meu senhor, mas olhe para o mundo… e olhe para as minhas calças!”

O alfaiate, com certeza, era de Virgem. Deus vocês já sabem. E Beckett também era ariano. O engraçado é que tanto ele quando Henry James – outro escritor de Áries – são conhecidos pela inércia ou indecisão que costumam ser marcas de seus personagens. Não que eu seja capaz de oferecer uma solução para esse paradoxo, mas posso dizer quem é, de modo que vou me permitir dar uma terceirizada nessa digressão. Pois tenho uma amiga capricorniana que é também a maior especialista em Áries que conheço, e não apenas porque escreveu uma premiada tese sobre Henry James. Ela tem ainda marido em Áries, filho em Áries, melhores amigas em Áries, enfim, o pacote completo. Pensando aqui agora, é interessante que um dos últimos artigos que ela publicou tenha sido sobre a Elena Ferrante. Quem quiser, está disponível gratuitamente online aqui, numa coletânea de ensaios. Com isso, pensando bem, acho que já tenho uma aposta a respeito do signo da romancista italiana.

E, para encerrar, é como eu costumo dizer a vocês: quando resolvo escrever um desses textos para o blog, é porque sei como eles começam, mas nunca onde vão terminar. Olhando o sumário da coletânea que mencionei há pouco, reparei que o primeiro texto se chama “En los inicios de la gran aventura: modernismo, internacionalismo y vanguardias”, e foi escrito por uma colega nossa argentina e ariana, que há bastante tempo é para mim um dos melhores exemplos da maneira corajosa com que Áries se manifesta no mundo. Notem como já no título e no tema do ensaio dá para notar o vínculo: o vanguardismo requer uma disposição arrojada e desbravadora, enquanto o “início da grande aventura” tem sido basicamente o assunto desse texto. Mas não é exatamente sobre assuntos acadêmicos que eu penso ao lembrar dela, da autora, que se chama Karina Vasquez. Tem uma coisa mais importante aí.

Sabem uma canção do Lou Reed chamada “Beginning of a Great Adventure”, no álbum New York, em que ele trata da expectativa de um casal às vésperas de ter um filho? Então. É disso que estou falando, é disso que lembro quando penso no tema da aventura ao lembrar da Karina. Pois não conheço ninguém que tenha sido tão arrojada e pioneira e desbravadora na hora de decidir ter filhos, e tê-los: pela maneira como ela decidiu, pelos riscos que assumiu, pela determinação que demonstrou, pela força que tira não se sabe de onde para criá-los. Hoje ela é uma mulher com um filho de cinco anos e mais dois de cinco meses, dos quais cuida não apenas com dedicação, mas com prazer também. É claro que às vezes deve ser muito difícil, e imagino que existam momentos totalmente impossíveis no cotidiano com eles. Impossíveis para mim, é claro. Não para a Karina.

De modo que esse texto é dedicado a ela, ao Theo, ao Ulisses e ao Milton. Serve também como registro de que, se a história deles começou, foi porque alguém tomou uma atitude que aos olhos do mundo ao redor podia parecer impensável, ou impraticável: aí ela foi lá e não apenas pensou, como fez. Só podia ser de Áries. De minha parte, então, fico na esperança de que os trabalhos hercúleos de seu dia a dia ganhem a ressonância mítica que merecem (nesse sentido os nomes dos meninos ajudam), e fico feliz em poder terminar o texto assim. Agora, vejam só que coisa: nós que começamos com uma brincadeira sobre a mitologia de Deus criando o mundo, chegamos enfim na história da criação de três mundinhos por uma humana que decidiu pela sua existência.

A ênfase na decisão é para lembrar que todas as mulheres deveriam ter a opção de levar até o fim ou não esse gesto, sobretudo porque trata-se de uma escolha no âmbito estrito de seu próprio corpo. E às vezes, no início dessas histórias, o que existe não é exatamente uma decisão – tudo se assemelha mais a uma armadilha do que a uma aventura. Quem trata do assunto da legalização do aborto ignorando isso, com argumentos como “uma pessoa precisa assumir as consequências de seus erros”, entendeu tudo errado, desde o princípio. A gente precisa lidar, sim, com as consequências dos nossos equívocos, precipitações e inconsequências, porém isso implica justamente ações que retifiquem os caminhos, por mais difíceis que possam ser, ou novas decisões que os reforcem, mesmo quando não foi a intenção inicial. De maneira alguma estamos condenados ao inferno de um destino incontornável. Lidar com as consequências de nossos atos é também executar outros atos, e depois outros, e assim por diante.

Suspeito que, de todos os signos, Áries é o que mais sabe disso. Talvez por este motivo se arrisque tanto: porque sabe que sempre haverá como mudar as coisas, e isso certamente é algo que temos a aprender com Áries. Fico então pensando naquele Deus que criou o mundo e tudo: ele provavelmente teria dado um jeito de seguir adiante mesmo se a luz não fosse boa, como aliás parece ter seguido, com todas as outras falhas e confusões. Se estamos aqui hoje, é também um pouco porque, como a Karina, ele entendeu que todo o trabalho com esse negócio de universo e mundo e humanidade valia a pena. Ele achou que estava na hora de dar uma arriscada, mesmo sem ter o controle dos desdobramentos seguintes da história que ia começar ali, e mesmo com todos os erros que sem dúvida ia cometer.

Agora, uma última observação: fico pensando no que existia antes desse Deus. Pois alguma coisa devia existir. Alguém, ou algo (sem dúvida uma personalidade ou força feminina) deve ter dado origem a um ser que para todos os efeitos foi criado à imagem e semelhança de nós homens. Várias mitologias não-monoteístas têm um nome e uma imagem para ela, que podemos chamar de Grande Mãe, de acordo com o título que recebeu na lista dos arquétipos junguianos. Trata-se do lugar de gestação da existência de tudo, e onde tudo terá sido gestado porque se quis, porque sentiu-se que era a hora, porque havia receptividade e desejo e amor envolvidos – e não porque havia leis impedindo o contrário.

Com isso, podemos supor que lá nos primórdios do cosmos estava em ação uma espécie de amor incondicional, que ficaria depois oculto, perdido, desencontrado, e seria redescoberto, entre outras maneiras, na figura de Cristo, em decorrência dos erros de seu Pai, por causa deles resolveu encarnar na Terra. Assim fica mais fácil entender por que o amor está no final dessa história: ele está no começo também. É o amor da Grande Mãe pela criatura frágil e inconsequente e irritadiça e intratável que deve ter nascido de seu ventre ali por volta do final de março, começo de abril, lá um pouco antes do início dos tempos. Mas nada que não aconteça do mesmo jeito, todos os anos, em todos os lugares do mundo, de maneira sempre igual e sempre tão diferente. Sim, acho que no final das contas vou ter que concordar com os geminianos: não dá para cravar um signo para a pergunta de tirar o sono que coloquei lá no início. Porque em todo canto, todo dia, há milênios, como resultado do amor entre os humanos, e por efeito decisões ao mesmo tempo ponderadas e inconsequentes, existe sempre algo acontecendo que se parece muito com o que deve ter acontecido no instante do nascimento de Deus.

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