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Indicações bibliográficas

A astrologia não é um saber institucionalizado, e se beneficia muito da internet como meio de troca de informações, mas não pode nem deve prescindir de alguns veículos tradicionais para a difusão de seus conteúdos. Os livros continuam sendo uma fonte de conhecimento importante; por isso, e também para atender um pedido que costumo receber, preparei para publicar aqui uma lista das obras que considero valiosas no âmbito da bibliografia astrológica.

Estão divididas em três grupos: 1) Obras de interesse geral, para quem gosta do tema de um modo mais amplo, ou tem um interesse histórico e sociológico; 2) Obras de introdução à prática da leitura de mapas astrais e seus símbolos, e 3) Obras de maior profundidade e amplitude na interpretação de tópicos específicos. Muitas estão mencionadas em inglês por falta de versões traduzidas, de modo que a lista fica também como dica para editoras e tradutores interessados no assunto.

Pensei em fazer uma resenha de livro por livro, quando criei esse blog, mas isso ia demorar uma década, então fui fazendo só um comentário breve sobre cada um mesmo. Resolvi publicar tudo de uma vez num mesmo post, mas não se assuste se você é iniciante e ficar achando que nunca vai ter tempo para ler isso tudo. Tempo tem, tempo suficiente, tempo infinito – o que às vezes falta é calma e paciência para ir assimilando as informações aos poucos.

A astrologia é também um conhecimento não-linear, então não é necessário seguir uma ordem ou considerar que há pré-requisitos a serem cumpridos. Nenhum desse livros é indispensável; todos são enriquecedores. A lista foi elaborada a partir de algumas sugestões que recebi da Cal Garrison, com o acréscimo de obras que fui descobrindo a partir daí.

Alguns livros que conheço ficaram de fora por uma questão de preferência pessoal, mas com certeza existe ainda muita coisa boa que não conheço, de modo que agradeço a quem puder contribuir com outras dicas, e vou atualizando o post na medida em que elas surgirem.


1. Obras de interesse geral (para quem não necessariamente é nem pretende ser astrólogo, mas tem interesse no debate a respeito da astrologia – sua história, fundamentos, tendências):

  • The Moment of Astrology: origins in divination, de Geoffrey Cornelius (2005): uma defesa e justificativa da astrologia como prática divinatória (vale a pena ver como ele define isso). Contém um interessante histórico dos experimentos feitos para comprovar cientificamente a validade da astrologia, e situa-se do lado de quem vê esses esforços com ceticismo, mas recebe com o entusiasmo a libertação do imperativo cientificista. A ênfase no “momento da astrologia” – isto é, as circunstâncias e ritos da práticas astrológica – para mim faz todo sentido. O estilo da escrita de Cornelius pode ser um pouco cansativo, mas de resto o livro é sensacional.
  • Chaos, Chaosmos and Astrology, de Bernadette Brady (2014): oferece uma ótima e breve discussão sobre o vínculo das práticas astrológicas contemporâneas com as Teorias da Complexidade e outros modos de (re)pensar o mundo a partir das últimas descobertas científicas. Indica toda uma bibliografia a ser explorada nessa linha.
  • A History of Western Astrology, de Nicholas Campion (2008): em dois volumes, para quem estiver em busca de uma pesquisa histórica detalhada e consistente. Do mesmo autor, Astrology and Cosmology in the World’s Religions (2012) oferece um viés mais sociológico e sintético, bem estruturado em um conjunto de ensaios, que dispensam a meticulosidade dos detalhes históricos para oferecer uma visão comparativa panorâmica, incluindo tradições não-ocidentais.
  • The Astrology of Fate, de Liz Greene (1984): este já é um livro “para astrólogos”, mas acho que Greene, uma psicóloga junguiana que ofereceu uma contribuição inestimável para a astrologia, vai muito além dessa proposta. Escreve muito bem, tem um conhecimento vastíssimo. Todos os livros dela são ótimos, e mencionarei mais alguns nas listas seguintes, mas esse é o que eu costumo recomendar com mais entusiasmo. Existe uma edição brasileira esgotada, pela Cultrix. Acho que dá pra encontrar o pdf.
  • The Astrology of Personality, Dane Rudhyar (1936): o livro que melhor apresentou os fundamentos para a retomada da astrologia no século XX, com viés psicológico. Soa meio datado hoje, mas Rudhyar continua sendo uma das melhores bases para a discussão sobre o lugar da astrologia no mundo moderno.
  • Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo, de C. G. Jung (1959): Apesar das dissonâncias, Jung e a astrologia se completam, e esse seria o livro essencial para fazer a conexão, mas todos os textos do volume 9 de suas obras completas editada pela Vozes podiam entrar na lista, além dos estudos alquímicos (volumes 12, 13 e 14). Em Sincronicidade (volume 8/3) o próprio Jung analisa mais diretamente a questão dos estudos astrológicos. Quem tiver um interesse específico sobre essa relação tem alguns estudos a respeito para percorrer; o melhor que conheço é o de Maggie Hyde, Jung and Astrology. Outro bom acompanhamento nesse item é Healing Fiction, de James Hilmann, publicado aqui como Ficções que Curam, sobre o papel da narrativa, do mito e dos símbolos na psicologia junguiana.

2. Obras introdutórias sobre símbolos astrológicos e técnicas de interpretação:

  • Horoscope Symbols, de Robert Hand (1981) : ótima e completa introdução, com a vantagem de ter sido escrita por um dos astrólogos mais consistentes de que se tem notícia. Dele recomendo ainda o Planetary Transits, mas aí trata-se de uma obra de referência a que você pode ter acesso com uma assinatura do site astro.com. Vale muito a pena escutar também a palestra intitulada Astrology, Morality, & Ethics, que está no youtube.
  • Astrologia, Psicologia e os Quatro Elementos, de Stephen Arroyo (1975): desse tenho uma edição em português, recente e creio que ainda no catálogo na Editora Pensamento. Não oferece muito do ponto de vista técnico, mas toca na questão do aconselhamento, essencial para toda prática astrológica, e muitas vezes negligenciada. No geral, uma ótima primeira leitura para quem quer entender os fundamentos do ofício e lidar com algumas de suas questões éticas.
  • The Shamanic Astrology Handbook, de Daniel Giamario e Cayelin K. Castell (1994): propôs uma leitura da relação entra a lua, o sol e o ascendente que foi decisiva para muitos astrólogos. Eu tinha um interesse intermitente na astrologia até conhecer esse livro, através dos comentários a respeito que estão em vídeos da Cal Garrison no youtube, que me fizeram procurá-la e tornaram-se o motivo da minha iniciação na prática.
  • The Lunar Gospel, de Cal Garrison (2017): Como já comentei em outro post, acho a Cal a melhor astróloga e melhor pessoa em atividade no universo. Mas, inclusive na comparação com os outros livros dela mesma, este se destaca. Escreve deliciosamente também.

3. Obras de aprofundamento:

  • As Doze Casas, de Howard Sasportas (1985): uma ótima ponte entre o conhecimento básico e os primeiros passos para interpretação de um mapa. Ponto de partida indispensável de toda iniciação em uma prática astrológica. Esse tem a vantagem de que é fácil encontrar disponível em pdf.
  • Pluto: the evolutionary journey of the soul, de Jeffrey Wolf Green (1985): Jeffrey é um sujeito genial que teve alguns insights decisivos. Como acontece às vezes nesses casos, transformou esses insights em um sistema no qual ficou aprisionado. O segundo volume do livro, em que ele inclui Vênus e Marte na figura, tem um pouco essa característica. Os demais livros dele tampouco se aproximam do que foi alcançado neste sobre Plutão, mas também porque ele é excepcional e dificilmente deixará de ser um dos mais importantes da história da astrologia.
  • Saturn: a new look at an old devil, de Liz Greene (1976): Clássico e essencial.
  • The Astrological Neptune and the Quest for Redemption, de Liz Greene (2000): Não é tão badalado quanto o livro de Greene sobre Saturno, é também menos sintético, mas do ponto de vista dos aspectos culturais, históricos e psicológicos implicados é bem mais completo. Uma leitura deliciosa também.
  • The Gods of Change: pain, crisis and the transits of Uranus, Neptune and Pluto, de Howard Sasportas (2007): uma boa visão em conjunto da importância de Urano, Netuno e Plutão na prática astrológica. Para quem já trabalha com os ‘planetas pessoais’ e está disposição para lidar com temas mais difíceis.
  • Predictive Astrology: the eagle and the lark, de Bernardette Brady (1999): um ótimo livro sobre as técnicas e especificidades da astrologia preditiva, que me esclareceu muita coisa a respeito de aspectos menores, como semi-quadraturas e inconjuntos. Mas é o tipo de coisa que só mesmo com alguma verificação prática começa a fazer sentido, primeiro na vida da gente, depois no estudo da astrologia.
  • Chiron and the Healing Journey (1989), de Malanie Reinhardt: Muito bom, mas mesmo nas versões atualizadas me deixa a impressão que temos trabalho a fazer na interpretação de Quíron nas 12 casas. De todo modo, chega perto de ser para Quíron o que o livro de Liz Greene é para Saturno e o de J. W. Green é para Plutão. Já é bastante coisa.
  • Asteroid Godesses: the mythology, psychology, and astrology of the re-emerging feminine, de Demetra George e Douglas Bloch (2003): uma abordagem introdutória, sobre astros que estão de fato sendo apenas introduzidos na prática astrológica (Ceres, Juno, Pallas, Lilith), e cujos arquétipos vão sendo compreendidos na medida em que isso acontece.
  • Mechanics of the Future, de Martha Lang-Wescott (1988): este poderia estar em uma quarta lista, de livros geniais, meio que incompreensíveis mesmo, mas que já se mostraram verdadeiros e pertinentes o bastante para acreditarmos que aos poucos vamos compreendê-los melhor. Lang-Wescott é o que existe de mais fora da curva na astrologia contemporânea. Ela consegue articular e sintetizar uma quantidade impensável de informações em seu cérebro humano, sem deixar de trabalhá-las com humanidade.
  • Seminars in Psychological Astrology, de Liz Greene e Howard Sasportas (1987-1992): quatro volumes, um sobre os Luminares (Lua e Sol), um sobre Mercúrio/Vênus/Marte, um sobre o desenvolvimento da personalidade (com destaque para os ensaios e debates sobre assuntos familiares) e outro sobre as dinâmicas do subconsciente (com destaque sobre os temas dos relacionamento, da violência e do trauma). Acho os ensaios de Greene notavelmente mais interessantes que os de Sasportas, mas todos os livros contêm textos de ambos e valem muito a pena.
  • Astrology, Nutrition and Health, de Robert Jansky (1977): Não dispensa a visita ao médico ou ao nutricionista, mas é sempre interessante ver como alguns diagnósticos e tratamentos estão sincronizados com trânsitos astrológicos. A astrologia médica pode também nos tornar mais atentos a algumas áreas vulneráveis do organismo, e pode ter um efeito psicológico positivo na maneira como lidamos com enfermidades. Mas conheço pouco do assunto, creio que existe uma bibliografia mais completa a respeito; depois que descobrir e ler comento aqui.
  • Synthesis and Couselling in Astrology, de Noel Tyl (1994): a única obra que conheço especificamente voltada para o tema da consulta astrológica. É amplo e útil, mas se Geoffrey Cornellius tem razão (e eu acho que tem), o “momento da astrologia” merecerá ainda muitos outros livros e discussões a seu respeito.

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