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Sobre Quíron

[Quíron, Peleus e Aquiles / Golden Porch: a book of Greek Fairy Tales / Flickr]

O pessoal lá na firma sabe que se me pedem para falar em Quíron é senta que lá vem a história. Se não pedem também. Tem de tudo nesse mundo: tem o maluco que gosta de falar de carros, tem o que gosta de falar de futebol, tem o que gosta de falar de Quíron. Tenho aqui uns três pequenos textos a respeito, esses dias me deu vontade de escrever mais um. Este é o primeiro, introdutório. Na sequência vou publicando os outros.

Trata-se de um asteroide com uma órbita meio estranha entre Saturno e Urano. Há quem o considere um cometa incomum. É um pouco como se fizesse a conexão entre Capricórnio e Aquário, porque da cabra ele retém o lado solitário e competente, mas acrescentando um comportamento excêntrico, marginal. É também um potencial regente de Virgem, por conta de suas funções de cura, atreladas a uma profunda consciência de imperfeições pessoais.

O Quíron mitológico foi um centauro, meio cavalo e meio humano, tutor de Aquiles, que um dia se feriu com uma flechada na perna. Aí ele passou a estudar todo tipo de tratamentos e remédios para sua ferida, mas nunca conseguiu saná-la. Por outro lado, percebeu que o conhecimento adquirido, embora não servisse a ele próprio, servia para curar os outros. Assim passou a ser conhecido como o xamã ferido, “the wounded healer” (aquele que, apesar da fratura exposta e incurável em seu corpo, torna-se capaz de curar).

Quíron é regente dos terapeutas. Ao menos daqueles que não ocultam as próprias tristezas e frustrações, não se apresentam como pessoas bem resolvidas e iluminadas. Aliás, todo tipo de aconselhamento pessoal – inclusive o astrológico – incorpora o arquétipo quironiano, na medida em que pressupõe uma pessoa cheia de medos e incertezas tratando das incertezas e medos de outra pessoa.

Trânsitos de Quíron podem inclusive trazer o instante de reconhecimento que uma antiga mágoa continuará nos acompanhando por toda a vida. Ou seja, uma mágoa que se tornará nossa companheira. Quando a manifestação de Quíron interfere na aparência de uma pessoa (Quíron na casa 1, por exemplo), temos alguém com uma cicatriz ou uma mancha aparente no rosto, ou um evidente senso de inadequação física, que termina sendo parte indistinguível de sua imagem.

O arquétipo tem ainda um monte de outras expressões, muitas delas inesperadas. Mas uma delas em particular acho muito bonita. É episódica: diz respeito a acontecimentos pontuais, às vezes corriqueiros, às vezes transformadores. Acontece quando, diante de um impasse em nossas vidas, de repente nos deparamos com o conselho ou a orientação mais acertada vinda de uma fonte imprevista, de aparência excêntrica ou traços marginais, que do nada aparece com a solução ou a advertência de que estávamos precisando, e depois some de novo.

Conselho quironiano: fiquem atentos às mensagens que chegam através de gente “doida”, gente bêbada, gente ferrada na vida. Eles podem não ter o remédio para os próprios problemas, mas têm algo de valioso a oferecer para todos nós.

2 comentários sobre “Sobre Quíron

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