câncer

Câncer e o pertencimento

Pieter de Hooch | Dever Materno (1658)

Rapidinho, uma anotação e uma dica. Cancerianos estão entre as pessoas com maior capacidade de sentir-se em casa neste mundo, e por isso mesmo são as que sentem com maior intensidade experiências comuns de ruptura e alienação. É onde o trágico encontra o corriqueiro, já que tudo neste mundo está aí para ser perdido, mas há aqueles que se recusam a aceitar isso com a força de uma revolta justa e desesperada. Em Câncer está a criança que chora a perda de um brinquedinho como se fosse uma catástrofe sem remédio, e está o adulto que chora a morte da mãe de 80 anos como se ela tivesse 30 e ele fosse apenas uma criança. Tudo isso envolve um tipo de vínculo com as coisas e com as pessoas (e com a terra natal, com a família) que nós outros mal podemos conceber; uma sensação de intimidade e pertencimento cujo reverso só pode ser mesmo muito dolorido. Portanto, fica a dica: evite falar de “desapego” com cancerianos. Muito provavelmente, você não sabe do que está falando.

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